Tatuagens podem causar alergias e doenças? mitos ou verdades

Cada vez mais exposta pelo corpo, a tatuagem deixou de ser identificada com determinados grupos e ganhou proporção popular no Brasil. Entretanto, dificilmente a prática é associada à saúde, mesmo sendo um procedimento invasivo.
Na tatuagem, a pele é pigmentada pela introdução de substâncias corantes, de origem vegetal ou mineral, por meio de agulhas ou similares.
Sem cuidados básicos e específicos de higiene, a prática pode trazer riscos como alergias, queloides (má-cicatrização), infecções por bactérias e até a possibilidade de infecção por vírus HIV e de hepatites.
Riscos à saúde
Estes riscos podem ser evitados se os tatuadores usarem materiais descartáveis (agulhas, máscaras, luvas, lâminas e raspador de pelos) e produtos antissépticos, como álcool, durante e após o procedimento-- o que já é determinado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). As tintas usadas devem ser atóxicas e aprovadas pelo órgão nacional.
\"A agulha deve ser descartável porque, por ser muito fina, pode manter resquícios de sangue, o que aumenta as chances de contaminação por doenças como HIV, o vírus da Aids, e por hepatites B e C\", diz Heloísa Ramos Lacerda, diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia.
O procedimento da tatuagem pode causar ainda infecção pela bactéria Staphylococcus aureus, que vive na pele. Com o tecido sendo perfurado, essa bactéria entra no organismo pela corrente sanguínea e se aloja em alguma parte do corpo. Em pessoas com problemas cardíacos, que têm lesões nas válvulas cardíacas, pode ser bem perigoso, afirma a infectologista.
\"Se tiver infecção nas válvulas do coração, a bactéria pode se alojar lá e causar inflamação no local\", diz Heloísa Lacerda.
Quem não deve fazer?
O governo brasileiro permite apenas que maiores de idade se submetam ao procedimento da tatuagem, ou menores com autorização dos pais. Já médicos pontuam outros requisitos.
O ideal é que a pessoa esteja bem de saúde, sem infecções ou inflamações aparentes. Caso contrário, é melhor tratá-las primeiro para evitar a exposição a bactérias e vírus.
\"Não devem fazer tatuagem as pessoas com a imunidade comprometida porque têm maior risco de infecção; as com problemas de pele, já que têm maior probabilidade de sofrer reação alérgica; as que sofrem de valvulopatia (alteração nas válvulas cardíacas), e que já tiveram hepatite B e C\", diz a infectologista Heloísa Lacerda, da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Diabéticos também devem consultar o médico antes de fazer tatuagem, já que estão mais sujeitos a ter infecções, devido à baixa imunidade em época de glicemia descontrolada. Se mantiverem a taxa de açúcar no sangue normalizada, podem fazer o procedimento, segundo o dermatologista Fernando Freitas, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
\"Pode fazer a tatuagem desde que esteja com a glicemia totalmente controlada. Mas deve evitar fazer em locais do corpo em que normalmente são aplicadas as injeções de insulina\", diz.
\"Pode fazer a tatuagem desde que esteja com a glicemia totalmente controlada. Mas deve evitar fazer em locais do corpo em que normalmente são aplicadas as injeções de insulina\", diz.
\"[A tatuagem] pode desencadear um quadro chamado dermatite de contato, uma espécie de reação alérgica ao contato com a tinta. Mas isso acontece em pessoas potencialmente alérgicas, como as portadoras de dermatite atópica [inflamação na pele]\".
A Sociedade Brasileira de Dermatologia orienta as pessoas a não fazerem tatuagens sobre sinais e marcas de nascença porque encobri-las dificulta a detecção de possível câncer de pele.  Portadores de vitiligo, por exemplo, só devem se tatuar depois de fazer um teste dermatológico para evitar reações alérgicas.